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The Last Mark

Praça Portugal. © Igor Fracalossi

Praça Portugal. © Igor Fracalossi

It is here where one day will be a plaza into which no one could ever enter. And even so, every one will call it a plaza. Thus it will have to be. Thus it will be.


 

O Último Marco

É aqui onde um dia existirá uma praça a qual ninguém poderá entrar. E ainda assim todos a chamarão praça. Assim haverá de ser. Assim será. Uma praça circular cujo diâmetro medirá oitenta e dois metros. Será concêntrica a um quadrado cujo lado medirá cento e vinte metros, dentro do qual haverá outro quadrado menor, distante oito metros do maior. Fora da circunferência haverá outra circunferência maior, distante dez metros da menor. O quadrado menor e a circunferência maior existirão de tal modo que por um mero metro não se tocarão. Permanecerão eternamente afastados: a circunferência e o quadrado. Porém ainda que distantes haverão de formar o triângulo: um triângulo retângulo isósceles de base curva. Serão quatro: localizados em cada um dos quadrantes que dividem quadrado e circunferência. Seus vértices gêmeos serão criados através de um arco de circunferência cujo raio medirá dois metros. Seu vértice solitário dará lugar a outro arco de circunferência cujo raio medirá três metros. O perímetro criado encerrará uma área de seiscentos metros quadrados. Quatro triângulos formados pela subtração entre um quadrado e uma circunferência concêntricos. Serão eles as praças que ninguém há de chamar praça. Esta será sua maldição. Neles estaremos para darmos conta da impossibilidade daquela praça. Pensaremos até que ela não existe, posto que nunca a tocaremos. Será uma ficção. Neles permaneceremos na angústia da contemplação. Desde o triângulo sonharemos com o círculo central. Um dia talvez seremos capaz de adentrar essa praça vazia. Eis nossa esperança. Cada hemisfério da circunferência estará dividido por vinte e quatro raios, que formarão um ângulo de sete graus e doze minutos entre eles. Desde o centro da circunferência eles alcançarão os triângulos perimetrais. Esta será a única ponte invisível que os unirão à praça circular. Uma circunferência interna menor formará uma coroa de dois metros e cinquenta centímetros de largura onde estarão marcados os quarenta e oito raios. Uma segunda circunferência interna distante quatorze metros da anterior determinará o limite de quatro trapézios circulares cujos eixos radiais estarão girados quarenta e cinco graus em relação aos eixos radiais dos triângulos externos. Serão idênticos em pares ortogonais: dois trapézios serão configurados pelo arco equivalente a dez dos vinte e cinco ângulos que formam cada hemisfério, que totalizarão setenta e dois graus, e dois trapézios serão configurados pelo arco equivalente a nove ângulos, que totalizarão sessenta e quatro graus e quarenta e oito minutos. Entre os trapézios haverão quatro passagens idênticas determinadas pelo espaço entre quatro raios que conduzirá a coroa externa da circunferência ao círculo central. Os raios aqui avançarão mais oito metros sobre essa passagem. Estarão sutilmente desalinhadas em relação ao eixo radial dos triângulos externos. Ao centro do círculo central haverá outras duas pequenas circunferências que formarão uma coroa de raios semelhante à circunferência principal. A menor delas terá um diâmetro de cinco metros e a segunda estará distante dela dois metros e meio. Os raios marcados agora já não serão os mesmos, senão que três vezes maior e alinhados com as bissetrizes daqueles ângulos. Aqui também haverá uma pequena sutileza: o primeiro e o último raio de cada hemisfério formarão com o diâmetro que divide os hemisférios um ângulo cuja medida terá três graus e trinta e seis minutos a mais que os seis seguintes, ou o equivalente a meio daqueles ângulos. A coroa central será envolvida em ambos os hemisférios por dois arcos distintos de circunferências excêntricas. O arco ocidental será formado a partir de duas circunferências concêntricas cujos raios medirão quatorze metros e dezessete metros e cinquenta centímetros respectivamente. A interseção entre a circunferência maior e o diâmetro que divide os hemisférios determinará os pontos inicial e final do arco. A circunferência menor determinará sua flecha. Sobre a região formada haverá nada mais que um segundo arco menor concêntrico ao anterior, distante dele dois metros e cinquenta centímetros. O arco oriental será formado a partir de outras duas circunferências concêntricas cujos raios medirão dez metros e onze metros respectivamente. Ao contrário do arco anterior, será a interseção entre o diâmetro que divide os hemisférios e a circunferência menor que determinará os pontos inicial e final do arco. Sua flecha será então determinada pela circunferência maior. Aqui, sobre essa segunda região formada que resguarda a coroa central, os raios centrais avançarão. Assim será a praça. Marco geométrico numa circunstância natural. Praça vazia, para que nela possa caber tudo. Nunca há de ter história. E assim sempre há de ter valor: porque será verdadeiramente bela.

Praça Portugal, mapa

Praça Portugal, mapa

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