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Criticism, the Art of Erasing the Names

Criticism is not about opinion. It is not about what somebody said. It is not about what we think. It is not about anyone. Criticism is just about the work itself. In our case, the work of architecture. The work itself has no judgments, no partialities, no points of view. The work do not see, do not talk, do not feel. The work just is. And to be is not to be something. But, there is also a work of criticism. That is the problem, a very subtle problem: the tension between the work of architecture and the work of criticism, the architect and the critic. The work of criticism is not to talk about. But instead, to let the work of architecture be in itself.

Criticism has words as traditional medium. It is a problem of writing. The critic has to be inside of it, and at the same time, be able to see outside of it. He is also a crucial part of the problem. The words used for criticism has no way other unless to be written by a critic. The labor of the critic is to be able to erase his name. The only subject present in a work of criticism is the work of architecture.

There is no true relation between names and things. At least in most of languages. There is no true relation between the word apple and the fruit called apple. There is no true relation between our names and ourselves. The labor of the critic is not to simply use words, but to transcend them, leading them to the extreme where they are almost not words, where they became no words but the thing itself in its particular being. The labor of critic is to write as the thing –the work of architecture– is being. Let words became existence: that is the labor of critic.

The critic writes from what he sees. Criticism is also a problem of sight. The critic has to be able to see what the work of architecture is. The critic gazes at. The critic has the virtue of suppress the voices in his mind and to be the voice of the work when it is being by itself. The work of criticism leads words to the extreme where we do not read it anymore and the work of architecture could be finally present. Criticism is a problem of presentation, not representation. A presentation made by the work itself, an auto-presentation, although through the words of the critic. Criticism is always an auto-critic, as the critic put himself in doubt and in existential danger.

Criticism is about works as facts. That is no true difference for reality between an unbuilt projects and built works of architecture. In some place we do not know, this unbuilt projects may lie built. We can imagine it built. We think about it as a built work. They are part of our imagination. They are images for us. But, how many works of architecture we true experiment and we have the authority to say they touch the earth? And how many works of architecture we just know through photographs believing they have a ground? A lot more. There is absolutely no doubt about it. How many unbuilt projects change the reality, the course of time, people’s fates and ways of seeing, in a more intense, consistence, and irreversible way than built works of architecture? Think about it truly.

Criticism does not distinguish built works and unbuilt projects. They are both works of architecture. Architecture has no time or age. Architecture just is. The words are always the same. The critic sees the same problems of conception, projection, and edification, through an ancient Polynesian temple or a today’s emergence house. The problems of architecture are and have been always the same, because human problems are and have been always the same. The critic writes in present time. There are no years. There is no architect for him. There is no one for him. The critic is just the one through whom the work could present devealing itself.

Criticism describes, describes, and describes, and describes the description, and the description of description. The way through which criticism occurs is through dense description. The work of criticism is a work of description. There is no I’s, no you’s, no we’s. There is just what the work is. To see what a work is and to write from this sight is to describe them. There are no adjectives, but instead, the description of the work’s character. The work is… The work rises from… The work is formed by… and configured this… This is the way criticism became within the work. The critic sees the origins where there are no direct leads to them. The critic sees the formation, germination and growth of the work as it was another life being with its own and singular existence.

Criticism is the art of erasing the names.

«Monsieur Jourdain: […] I must confide in you. I’m in love with a lady of great quality, and I wish that you would help me write something to her in a little note that I will let fall at her feet.
Philosophy Master: Very well.
Monsieur Jourdain: That will be gallant, yes?
Philosophy Master: Without doubt. Is it verse that you wish to write her?
Monsieur Jourdain: No, no. No verse.
Philosophy Master: Do you want only prose?
Monsieur Jourdain: No, I don’t want either prose or verse.
Philosophy Master: It must be one or the other.
Monsieur Jourdain: Why?
Philosophy Master: Because, sir, there is no other way to express oneself than with prose or verse.
Monsieur Jourdain: There is nothing but prose or verse?
Philosophy Master: No, sir, everything that is not prose is verse, and everything that is not verse is prose.
Monsieur Jourdain: And when one speaks, what is that then?
Philosophy Master: Prose.
Monsieur Jourdain: What! When I say, “Nicole, bring me my slippers, and give me my nightcap,” that’s prose?
Philosophy Master: Yes, Sir.
Monsieur Jourdain: By my faith! For more than forty years I have been speaking prose without knowing anything about it, and I am much obliged to you for having taught me that. […]»
The Bourgeois Gentleman, by Moliére, 1670.


 

Crítica, a Arte de Apagar os Nomes

Crítica não é opinião. Não é sobre o que alguém disse. Não é sobre o que nós pensamos. Não é sobre ninguém. Crítica é somente sobre a obra mesma. Em nosso caso: a obra de arquitetura. A obra em si não tem juízos, parcialidades, pontos de vista. A obra não vê, não fala, não sente. A obra simplesmente é. E ser não é ser alguma coisa. No entanto, também existe uma obra de crítica. Esse é o problema, um problema muito sutil: a tensão entre a obra de arquitetura e a obra de crítica. A obra de crítica não é falar sobre. Em vez disso, permitir que a obra de arquitetura seja em si mesma.

Crítica tem nas palavras seu meio tradicional. É um problema de escritura. O crítico deve estar dentro disso, e ao mesmo tempo, ser capaz de ver desde fora. Ele também é uma parte crucial do problema. As palavras usadas para a crítica não têm outra maneira que não serem escritas por um crítico. O labor do crítico é ser capaz de apagar seu próprio nome. O único sujeito presente numa obra de crítica é a obra de arquitetura. Não há uma relação verdadeira entre palavras e coisas. Pelo menos na maioria das línguas. Não há uma relação verdadeira entre a palavra maçã e a fruta chamada maçã. Não há uma relação verdadeira entre nossos nomes e nós mesmos. O labor do crítico não é simplesmente usar palavras, mas transcendê-las, levando-as ao extremo onde elas quase não são palavras, onde elas não se tornam palavras, mas a própria coisa em seu particular ser. O labor do crítico é escrever como a coisa, a obra de arquitetura, está sendo. Deixar que as palavras se tornem existência: esse é o labor do crítico.

O crítico escreve a partir do que ele vê. Crítica é também um problema de vista. O crítico deve ser capaz de ver o que a obra de arquitetura é. O crítico enxerga. O crítico possui a virtude de suprimir as vozes na sua mente e de ser a voz da obra quando ela está sendo em si mesma. A obra de crítica leva as palavras ao extremo em que nós não mais as lemos, e a obra de arquitetura pode finalmente estar presente. Crítica é um problema de apresentação, não de representação. Uma apresentação feita pela própria obra, uma auto-apresentação, embora através das palavras do crítico. Crítica é sempre uma auto-crítica, à medida que o crítico se coloca em dúvida e em perigo existencial.

Crítica é sobre palavras em quanto fatos. Não há verdadeira diferença entre projetos não construídos e obras construídas de arquitetura. Em algum lugar que não sabemos, esses projetos não construídos podem estar construídos. Nós podemos imaginá-los construídos. Nós pensamos sobre eles como obras construídas. Eles são parte da nossa imaginação. Eles são imagens para nós. Quantas obras de arquitetura nós verdadeiramente experimentamos e temos a autoridade para dizer que elas tocam a terra? E quantas obras de arquitetura nós apenas conhecemos através de fotografias, acreditando que elas tem um chão? Muito mais. Não existe absolutamente nenhuma dúvida sobre isso. Quantos projetos não construídos transformam a realidade, o curso do tempo, o destino das pessoas e modos de ver, de uma maneira mais intensa, consistente, e irreversível, que as obras construídas de arquitetura? Pense nisso verdadeiramente.

Crítica não distingue obras construídas e projetos não construídos. Ambos são obras de arquitetura. Arquitetura não tem tempo ou idade. Arquitetura simplesmente é. As palavras são sempre as mesmas. O crítico vê os mesmos problemas de concepção, projeção e construção, através de um antigo templo da Polinésia ou uma casa emergencial de hoje, porque os problemas humanos são e tem sido sempre os mesmos. O crítico escreve em tempo presente. Não há anos. Não há arquiteto para ele. Não há ninguém para ele. O arquiteto é aquele quem uma vez e pela primeira vez permitiu à obra ser. Porém apenas uma vez. O arquiteto está no passado. A obra não tem nada a ver com ele. O crítico é apenas aquele através de quem a obra pode apresentar revelando a si mesma. Crítica está no presente.

Crítica descreve, descreve, e descreve, e descreve a descrição, e a descrição da descrição. A maneira através da qual a crítica acontece é a descrição densa. A obra de crítica é uma obra de descrição. Não há eu’s, você’s, nós’s. Apenas há o que a obra é. Ver o que uma obra é e escrever a partir dessa visão significa descrevê-los. Não há adjetivos, senão a descrição do caráter da obra. A obra é… A obra surge de… A obra é formada por… e configura o… Essa é a maneira com que a crítica surge dentro da obra. O crítico vê as origens quando não há guias diretas a elas. O crítico vê a formação, a germinação e o crescimento da obra como se ela fosse outro ser vivo com sua própria e singular existência.

Crítica é a arte de apagar os nomes.

«Monsieur Jourdain: […] Devo confessar. Estou apaixonado de uma dama de grande qualidade, e desejaria que tu me ajudasses a escrever algo a ela numa pequena nota que deixarei cair a seus pés.
Mestre Filósofo: Muito bem.
Monsieur Jourdain: Será galante, sim?
Mestre Filósofo: Sem dúvida. É verso que tu gostarias de escrever a ela?
Monsieur Jourdain: Não, não. Sem versos.
Mestre Filósofo: Queres apenas prosa?
Monsieur Jourdain: Não, não quero nem prosa nem verso.
Mestre Filósofo: Deve ser um ou outro.
Monsieur Jourdain: Por quê?
Mestre Filósofo: Porque, senhor, não há outra maneira de expressar-se que prosa ou verso
Monsieur Jourdain: Não há nada senão prosa ou verso?
Mestre Filósofo: Não, senhor, tudo que não é prosa é verso, e tudo que não é verso é prosa.
Monsieur Jourdain: E quando se fala, o que é isso então?
Mestre Filósofo: Prosa.
Monsieur Jourdain: O quê! Quando eu digo, “Nicole, traga-me minhas sandálias e dê-me minha touca”, isso é prosa?
Mestre Filósofo: Sim, senhor.
Monsieur Jourdain: Por minha fé! Por mais de quarenta anos tenho falado em prosa sem saber nada a respeito, e estou muito agradecido a ti por tê-lo me ensinado […]» —O Burguês Fidalgo, Moliére, 1670.

O crítico é consciente de falar em prosa.

Via ArchDaily Brasil

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