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If a House in Butantã

If the two cross-beams at the ends of the upper slab descended, forming the main floor’s end walls, they would meet perfectly at the border of the floor slab. If the two upper girders didn’t advance twenty centimeters in a cantilever, hanging the concrete end walls and separating them from the cross-beams, there would be no space for the top guttering, and a gap would not be created on the main floor, indirectly illuminating its interior. If this level’s sides weren’t stub walls of concrete bricks, painted in black, they wouldn’t form two overlapping planes on the side facades, with a constant shadow between them, and sometimes a third intermediary plane. If the work and dining tables weren’t attached to the inside of opposite end walls, an opening in each would not be needed to illuminate the horizontal planes. If the external volumes were not aligned with the tables, the horizontal planes couldn’t be extended through to the outside. If the window frames weren’t included only on the bottom and sides of each pane, and if closing the windows didn’t just take a touch on the outside of the sill, the transparency of the ensemble would not appear barely crossed by vertical lines. If the upper fixed panes were not set slightly back from the lower panes, a gap would not be left for natural ventilation. If the bedrooms and private rooms were not placed in the building’s central strip, there would not be two large opposing rooms with continuous windows. If the window sills were not concreted, matching the lower slab, that ensemble would not form a widened U, rotated ninety degrees from the inverted U formed by the end walls and the upper slab. If the regular structure of columns, girders, beams and slabs were not subverted by the enclosures, openings, and functional volumes, could this house exist?

The exploded box: the opposite inverted and rotated U’s

The exploded box: the opposite inverted and rotated U’s


This essay was honored with Jury’s First Prize on the International Biennial of Architecture of Argentina BIA-AR 2014.

Via: BIA-AR


 

Si una Casa en Butantã

Si las dos vigas transversales de las extremidades de la losa de cubierta bajasen formando los muros ciegos del nivel principal, se encontrarían perfectamente con el perímetro de la losa de piso. Si las vigas longitudinales no avanzasen veinte centímetros en voladizo colgando los muros ciegos de hormigón y alejándolos de las vigas, no habría espacio para la canaleta y no se crearía una brecha en el nivel principal para iluminar indirectamente el interior. Si los lados de este nivel no fuesen muretes de ladrillos de cemento pintados en negro, no se formarían en las fachadas laterales dos planos sobrepuestos y una sombra constante entre ellos, y a veces un tercer plano intermedio. Si las mesas de trabajo y comedor no estuviesen fijadas en muros ciegos opuestos, no sería necesario tener en ambos aperturas para iluminación de los planos horizontales. Si los volúmenes externos no estuviesen alineados con las mesas, los planos horizontales no podrían ser ampliados a través de ellos al exterior. Si los marcos de los cristales no estuviesen solamente en las laterales y la extremidad inferior, y si el cerramiento de la ventana no fuese solamente un tocar la parte externa del alfeizar, la transparencia del conjunto no se vería apenas dividida por líneas verticales. Si los cristales fijos superiores no fuesen ligeramente desplazados en relación a los cristales inferiores, no se dejaría una brecha para ventilación natural. Si los dormitorios y los recintos íntimos no estuviesen distribuidos en la franja central del edificio, no habría dos salones opuestos con ventanas continuas. Si los alféizares no fuesen hormigonados en continuidad con la losa inferior, ese conjunto no formaría una U ensanchada, rotada noventa grados en relación a la U invertida formada por los muros ciegos laterales y la losa de cubierta. Si el conjunto estructural regular de pilares, vigas e losas no fuesen subvertidos por los cerramientos, aberturas y volúmenes funcionales, ¿podría existir esta casa?


Este ensayo fue premiado con el Primer Lugar del Jurado en la Bienal Internacional de Arquitectura de Argentina BIA-AR 2014.

Via: Plataforma Arquitectura


 

Se uma Casa no Butantã

Se as duas vigas transversais das extremidades da laje de cobertura descessem formando as empenas externas do pavimento principal, se encontrariam perfeitamente com o perímetro da laje de piso. Se as vigas longitudinais não avançassem vinte centímetros em balanço sustentando e afastando das vigas as empenas externas de concreto, não haveria espaço para a calha superior e não se criaria uma brecha no piso principal para iluminar indiretamente o interior. Se nas laterais desse piso não fossem levantadas muretas externas de blocos de concreto, não se formaria nas fachadas dois planos sobrepostos e uma sombra constante entre eles, e às vezes um terceiro plano intermediário.

Se as mesas de trabalho e jantar não estivessem fixadas em empenas opostas, não seria necessário ter em ambas as empenas aberturas para iluminação dos planos horizontais. Se a iluminação permitida pelas aberturas nas empenas externas não fosse direta e ofuscante, não seriam necessários volumes prismáticos externos a modo de combogós individuais para amenizar a luz. Se esses volumes não estivessem alinhados com as mesas, os planos horizontais não poderiam ser ampliados ao exterior.

Se as dezesseis vigas transversais da laje de cobertura não avançassem cinco metros e meio em balanço em ambos os lados, as vedações não poderiam ser somente esquadrias de vidro sem qualquer outro tipo de proteção. Se as vigas da laje do pavimento principal não avançassem apenas dois metros e meio em balanço na fachada de fundos, contra três metros e setenta centímetros na fachada principal, não haveria proteção suficiente para a escada exterior e a laje de cobertura não poderia ser interrompida um metro antes de tocar a extremidade das vigas. Se não houvesse uma empena longitudinal que remata as extremidades das vigas da cobertura na fachada de fundos, o interior do edifício não poderia ser iluminado indiretamente pela luz que passa entre as vigas e reflete na empena.

Se as esquadrias de aço e vidro não fossem moduladas com os mesmos um metros e sete centímetros do distanciamento entre vigas transversais, elas não dariam continuidade ao painel fixo de vidro posicionado no espaço superior entre vigas. Se os caixilhos das esquadrias não fossem sustentados somente pelas vigas transversais da cobertura, os peitoris e vãos de ambas as fachadas não poderiam ficar completamente desimpedidos e sem interrupções. Se esses caixilhos não fossem somente laterais e se o fechamento da esquadria não fosse somente um encostar na parte externa do peitoril, a transparência do conjunto não se veria dividida apenas pelas linhas verticais. Se os painéis fixos superiores não fosse ligeiramente recuados em relação as esquadrias, não se deixaria uma brecha para ventilação natural. Se as esquadrias não fossem basculantes com guias laterais corrediças, não se produziria aberturas tanto em cima quanto em baixo. Se os painéis de vidro não fossem divididos em dois, o painel inferior não poderia subir como uma guilhotina. Se os dormitórios e ambientes íntimos não estivessem distribuídos na faixa central do edifício, não haveriam dois salões opostos com esquadrias contínuas.

Se os peitoris das esquadrias de aço e vidro não fossem de concretados em continuidade com a laje inferior, esse conjunto não formaria um C invertido e rotacionado noventa graus em relação ao C formado pelas empenas laterais e a laje de cobertura. Se a estrutura formada pelos quatro pilares quadrados de trinta e cinco centímetros de lado, e pelos dois níveis formados por duas vigas longitudinais principais que suportam dezesseis vigas transversais cada, não fosse subvertida pelas vedações e aberturas, esse edifício não existiria.


Esse ensaio foi premio com o Primeiro Lugar do Juri na Bienal Internacional de Arquitetura da Argentina BIA-AR 2014.

Via: ArchDaily Brasil

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